
Recebi algumas sugestões de temas para as postagens deste blog. O deste veio do Claudio José Nogueira, Carlos Henrique Fontes e Evio Brito. Na verdade foi uma junção de três indicações que recebi, distintas mas interligadas entre si inevitavelmente. Depois de adaptá-las, vamos explicar.
A expressão
Strymon para quem não toca nada, quando li, me fez inexoravelmente refletir de um problema comum e recorrente de nossos dias. Percebo que muitas às vezes alguns músicos estão mais preocupados com o equipamento que ele mesmo ou os outros possuem do que em tocar propriamente a apropriadamente; e fazer isso com maestria, criatividade, qualidade. Muitos estão mais ocupados com a marca do pedal ou a logo da guitarra, do que em buscar ter uma identidade sonora, um estilo próprio, tocar bem; e ser assim um músico de verdade.
E isso é diretamente influenciado por um certo
"espírito" estúpido de competição, que se gera, como se a musica fosse uma olimpíada, concurso de beleza; uma batalha para se ver quem é mais e melhor. E também essa tendência pós-moderna, faz brotar uma visão
consumista desenfreada, produz no músico o não buscar o equipamento que necessita ou gosta, mas o que seja mais caro, ou que mais impressione.
Por exemplo, há quem tenha um setup de pedais onde tem nele o que não usa ou de fato se identifica. Vamos supor que uma pessoa está a buscar uma distortion para seu set, e tal tem uma ligação sonora com o DS1 da Boss. Ele quer e curte um drive mais "podrão", com a coloração que este clássico oferece, e enfim, o pedal que lhe agradou foi esse e pronto. Mas de repente adquire um OCD, que é um baita pedal, mas de outro universo sonoro. Só que como é mais caro, o camarada vai para o que não tem nada haver consigo. Quanta insensatez! E não me venham com essa de que tal pedal é horrível, pois o meu e seu gosto não é o padrão: achar isso é criar um monumento ao egoísmo.
É lamentável também ver isso no meio cristão. O mais incrível é que é tão óbvio o fato de que um bom setup é aquele apropriado a todo o contexto e identidade sonora do músico. Felizmente tenho na contramão de tudo isso, visto gente madura também. Pessoas que não entram nessa de competir, humilhar os outros ou aplaudir a irracionalidade e burrice. É narcisismo achar que somente o que achamos ser bonito é o melhor.
Nesses dias vi um vídeo onde um vendedor humilhava o jeito como um cliente testou um baixo na sua loja, pois no fundo se tinha nesse coração uma arrogância, ignorância e essa mesquinhez musical: que otário.
Um setup inteligente tem haver com a pegada do guitarrista, proposta sonora, gosto, contextos. Afinal não se vai para a praia tomar banho de mar de terno e gravata, nem para a igreja de sunga. Como diz a musica Genérica do Resgate,
quem se deslumbra com plumas de fibra ao não ser você?
Obs: "Strymon" é alegórico nesse texto. Sabemos que tais produzem grandes pedais. A função desta postagem não é criticar quem tem e nem analisar seu valor. Como sempre digo, se nele estiver o que você procurar, busque o mesmo.